segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Sobre Alfinetes e Corações


A garota olhou para aquele pequeno e frágil objeto em suas mãos. Era impressão sua ou ele estava... Pulsando? Era quase imperceptível, mas ela podia sentir entre seus dedos o tun, tun que ele fazia. Abraçou-se com ele, colocando-o perto ao peito, e sentindo o calor que aquilo lhe proporcionava. E a dor. E quanto mais batia, mais sentimentos lhe tomavam o corpo. Sentimentos que ele nunca pensara que fossem existir. Felicidade, saudade, frenesi, excitação, tristeza, melancolia, paixão e diversas emoções que ela não sabia nem o nome. Que ouvira falar tanto me livros, mas nunca chegara a sentir. E agora aquele pequeno balão lhe fazia sentir.

Um balão em formato de coração.

Com medo, segurou-o mais firmemente entre as mãos, com medo eu ele voasse e ela nunca mais pudesse sentir todos aqueles sentimentos, que de tão novos, lhe causavam dor, mas lhe fazia sentir como nunca antes sentira. Viva.


(...)


E com todo cuidado, ela lhe entregou seu bem mais precioso. Seu pequeno balão, que ela guardava com todo cuidado, escondido em uma pequena caixinha, para que ninguém pudesse ver ou machucar.

E com um alfinete na mão – aquele alfinete que ele sempre carregava - e o balão na outra, com todo cuidado ele guardou o coração que lhe era dado. Mas como sempre atrapalhado, deixou que ele estourasse com uma simples alfinetada.

E a menina ficou lá. Sentada. Vendo todos aqueles pedaços de balão caírem pelo chão. E sem seus sentimentos, nem pode chorar pelo fim de seu bem mais precioso.

(...)

Com muito cuidado ele lhe entregou aquele estranho e deformado balão, que havia concertado com agulhas e alfinetes. E ela ficou olhando para aquele estranho objeto em suas mãos, sem saber o que fazer. Já havia esquecido o que era um coração, e aquele não se parecia em nada com o que tinha em suas longínquas lembranças.

Mas ainda estavam lá todos os sentimentos. E um a mais. Um que ele nunca pensara que pudesse sentir. Então ela sorriu para o garoto dos Alfinetes, com seus olhos que pediam perdão.

Nunca tivera a intenção de estourar seu coração.

Ela sabia, claro que sabia.

E cuidadosamente guardou seu balão/coração em sua pequena caixinha. Talvez ainda não estivesse na hora de tirá-lo dali. E novamente escondeu a caixinha onde ninguém pudesse ver, e onde ele estaria a salvo de todos os alfinetes que ela pudesse encontrar pelo caminho.

2 comentários:

rayza quem? disse...

eu me lembrei daquela imagem de um desenho que ilustra um poema do tim burton, a história da voodooo girl, lembra?



mito mais fácil ter seu coração quebrado por outrém, principalmente quando ele é remendado. o problema vem qndo se estora o próprio balão, e joga-se os pedaços no lixo.

i've been locked inside your heart-shaped box for a week.

ana helena disse...

lindo!!!
pena que o coração de verdade seja um estranho pedaço de carne...
mas não deixa de ser lindo...
=*