Eu preciso de um tempo para mim. Não, não é um tempo para fazer todas as coisas que gostaria de fazer, visitar todos os lugares que gostaria visitar, ou coisa do tipo. É apenas um tempo para mim. Eu, eu mesma e mais ninguém. De preferência, nada que me ligue ao mundo real ou virtual, que a cada dia vai me angustiando mais. Parece que quanto mais espaço os seres humanos adquirem para expor suas idéias e opiniões, menos eles vão se utilizando do famoso “filtro mental”, e cada vez mais todas essas ferramentas são usadas para fofocar e denegrir o outro. Não gosto de balizar minha vida na dos outros, com hipocrisia e moralismos de fachada. Para mim, é falta de tempo e noção de que a vida é mais do que a nossa bolha da classe média. Em uma reunião com o Movimento Marina Silva, ouvi que é necessário sempre levar as discussões para um patamar mais avançado, em vez de ficar no limbo dos xingamentos, tão comum em qualquer área, e achei o conselho muito bom. Na área ambiental fica no famoso “quer salvar os macaquinhos” ou “é contra o desenvolvimento”, como se desenvolvimento fosse medido com a quantidade de árvores derrubadas e estradas ou prédios criados. Da área cultural eu acho que já desisti. Não tenho paciência para artistas ou estudiosos, enquanto o povo, o povão mesmo, é ridicularizado pelos seus gostos e tradições, como se fossemos nós os detentores de todos os saberes. Mas estou me perdendo, não era sobre isso que iria falar. Era sobre como preciso de um tempo para mim mesma, longe de todos, para limpar minha cabeça de todas essas pecuinhas que para mim tem cada vez menos sentido e significado. De preferência sem TV ou internet também. Só eu e um computador (ou um lápis e muitas folhas de papel, não sou exigente) para me ater aos meus escritos, que já estão mofando na gaveta.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Reunião!
Nessa quinta-feira os ufaquianos interessados em participar da movimentação para ativar o Centro Acadêmico de Jornalismo estão convidados para uma reunião na Biblioteca Pública a partir das 18h30.
Mais informações http://cajornalismoufac.blogspot.com/
Mais informações http://cajornalismoufac.blogspot.com/
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Macaco Velho
Ainda temos muito chão pela frente...
Lembrete mental: Prestar atenção nos comentários sempre pontuais da Marisa.
domingo, 31 de janeiro de 2010
Intercom

Intercom Norte 2010, em Rio Branco, Acre, dias 27, 28 e 29 de maio. Quer saber mais sobre o evento? @intercomAC2010
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
aborto
Um dia Luiza desceu as escadas, passou pelos corredores da prefeitura - onde trabalhava, ganhando seus míseros 500 reais do estágio no setor de contabilidade, mesmo ela estudando ciências sociais -, saiu para a praça e começou a andar ladeira a baixo. Já tinha se esquecido do tempo de tanto andar quando chegou ao seu destino. Contou no relógio três vezes, mordeu o lábio inferior mais duas, e quando a conta de suas ações - mínimas - chegou a 95 foi atendida por aquele ladrão de anjos. abriu as pernas, e deixou que lhe tirasse tudo, puxando com força e derramando o sangue em gotas que caíram em abundância no chão. pingando, pingando, pingando, jorrando. Parecia-lhe que todo o sangue do corpo começou a escorrer por entre as pernas. E por entre essas foram caindo folhas, todas manchadas de vermelho, de escritos antigos, novos, presentes e passados em futuros nem um pouco distantes do pretérito imperfeito dos amores gramaticais. e a cada página que caia, mais branca Luiza ia ficando, vendo cada um de seus pequenos bastados jogados em meio ao sangue derramado. Porque por leite não se chora, mas por sangue derramam-se litros de águas salgadas - apesar de as águas de Luiza não virem do mar, Luiza era garota de rio. rios barrentos. os rios que só enchiam em janeiro (nunca em fevereiro) e que ela deixava ir embora com suas águas por esgotos e banheiros escuros. então chorava as águas barrentas sem peixe, por entre sangues barrentos e sem peixe, e páginas manchadas pelas mesmas águas e sangues barrentos, porém, páginas cheias de peixes , bois, galinhas, vacas, cobras, jacarés e todos os animais que se tem direitos neste mundo animal de meudelsú. Quando não pode mais, ajoelhou-se no chão, urrando como só as grávidas podem, deu o último empurrão, deixando que aquela bola de sangueaguagenteanimalpaginas caísse no chão e chorasse com os olhos aberto, as mãos pequenas agarrando-lhe o cordão umbilical, que Luiza rapidamente se pôs a cortar com os dentes. Rezou uma Ave Maria, uma solitária, porque nesses casos, só Maria, e levantou cuspindo o sangue de aborto seu. Ali, jazia Mariana Sofia.
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