- Precisei entorpecer minha saudade pra sobreviver os dias sem a tua
presença. Precisei me convencer que a sua falta não era tão importante. Que não
me custava a ausência dos teus beijos ou do toque da sua mão. Foi necessário repetir infinitamente que
podia viver sem lembrar o teu cheiro. Mas mentia como nunca pensei que seria possível,
ate para mim, que sou especialista em inventar mentiras internas para acalmar a
minha alma. Eu me importava. A tua falta me matava. Todos os dias, lentamente. E
agora que vou lhe ver, que o tempo decidiu ser nosso aliado e fazer os dias nos
calendários ate o nosso encontro diminuírem, o pequeno monstro da saudade
acordou. E se alimenta de tudo que lembre você. O problema, Moreno,
é que tudo faz referência a você.
- Dizem que pessoas apaixonadas encontram o amor ate em uma folha de árvore
caída no chão, talvez seja esse o seu
problema Pequena.
- O meu problema é que aqui não me faltam árvores. Quem mandou morar bem
no meio da Amazônia? Só sei que eu te
quero Moreno. E sinceramente não me importa que o tempo seja nosso inimigo, e
que nossos dias estejam contados. Aproveito cada hora. Todas as 72. O pequeno monstro que existe aqui dentro já
acordou, e eu preciso alimenta-lo um pouco pra que ele possa voltar a hibernar.
O problema é que ele sempre deixa uma bagunça depois que vai dormir. E
no final do dia, tenho que ficar juntando os meus cacos pelo chão.
*publicado originalmente na Confraria dos Últimos Românticos no dia 02 de maio de 2012
*publicado originalmente na Confraria dos Últimos Românticos no dia 02 de maio de 2012
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