quarta-feira, 8 de abril de 2009

Tinha cheiro de coisa velha. Traças, jornais e cadernos de infância. Tinha gosto de coisa velha. Pães mofados e leite azedo. Tinha cara de gente nova, menina-moça, que andava em passos tortos (tortos como tudo que fazia, dizia ou pensava). Travestia-se de homem e cuspia no chão. E na cara do pai, da mãe e de quem lhe cruzasse o caminho. Beijava as putas como só beijam os homens, com amores fingidos e olhos abertos. Mas falava como só falam as mulheres, com a falsidade que só elas tem. Como qualquer mentirosa(o) sussurrava ao pé do ouvido: - não vira, não vira, não vira. Virava. Beijava. Mentia. Cuspia. Eram tantas as rimas que rasgava todas e jogava no rio, junto com os passados e futuros. Não tinha presentes. Repetia os provérbios uma, duas, até três vezes. Até cansar. Até casar. Casou.

3 comentários:

Magda Tomaz disse...

:) Essas crianças.

Victor Manfredine disse...

é. nesse mundinho aqui,
acidentes de percurso acontecem.

Janu Schwab disse...

que puta cheiro de jasmin, titia!