eu joguei fora a sua escova de dente.
não, eu não te superei (ainda)
mas já não espero você voltar para mim
não me iludo com você aparecendo na minha porta
e pedindo pra dormir comigo.
até porque você nunca pede por nada.
sábado, 16 de agosto de 2014
ainda me lembro
Eu ainda me
lembro das nossas conversas no escuro, você olhando para o teto e eu olhando
para você, tentando segurar aquele momento na minha memória e abraçar os
segredos que você me compartilhava, tão seus, tão nossos. Eu ainda me lembro
daquela tarde, em que eu chorava vendo um filme e você me abraçava pelas
costas, em silêncio, consolando uma tristeza criada. Eu ainda me lembro de
tentar adivinhar quando você estava com raiva mesmo e quando estava apenas
brincando, porque a gente tinha dessas brincadeira de fingir ser aqueles chatos
que a gente detesta só para rir e lembrar que nós éramos apenas nós. Eu ainda
me lembra da minha felicidade quando você disse que não estava fincando com
mais ninguém, porque não queria ficar com mais ninguém. E do meu coração
apertando forte ao te olhar nos olhos e saber com toda a certeza do mundo, sem
nenhuma sombra de duvidas, que eu estava amando você. E aquele medo de contar sobre
esse sentimento se esvaziando quando você me disse que me amava também, apesar
de você não ser dessas coisas. Eu me lembro disso tudo, e sigo lembrando.
Porque eu coleciono memórias e as com você estão guardadas em um lugar especial
na minha caixinha de lembranças. Eu não espero mais nada de nós, ou às vezes
espere, mas já desisti de criar ilusões e expectativas. Sigo a vida aceitando
te ter do meu lado como a vida permitir, sem querer mais, sem pedir pelos segredos
de baixo das cobertas em uma tarde fria de domingo.
terça-feira, 5 de agosto de 2014
;
você me devolveu as palavras
aquelas que se perderam
e as que foram roubadas.
mas agora que você se foi
eu me vejo novamente
sem ponto e vírgula
aquelas que se perderam
e as que foram roubadas.
mas agora que você se foi
eu me vejo novamente
sem ponto e vírgula
quarta-feira, 30 de julho de 2014
escova de dente
você disse que nunca se apaixonava
mas um dia me falou, bem tímida, um eu te amo
e agora eu me seguro na lembrança desse momento
para ir seguindo adiante, sem você do meu lado
agarro na ponta dos dedos nossas memórias
vou procurando pessoas para passar o tempo
sabendo que na verdade elas não passam nada
nada passa
e eu me pego olhando todos os dias
para sua escova de dente
que não tenho coragem de jogar fora
mas um dia me falou, bem tímida, um eu te amo
e agora eu me seguro na lembrança desse momento
para ir seguindo adiante, sem você do meu lado
agarro na ponta dos dedos nossas memórias
vou procurando pessoas para passar o tempo
sabendo que na verdade elas não passam nada
nada passa
e eu me pego olhando todos os dias
para sua escova de dente
que não tenho coragem de jogar fora
domingo, 15 de junho de 2014
Road trip
Eu precisava fugir. Pegar a estrada, um ônibus para qualquer lugar da américa latina. Você tinha um carro e logo me imaginei seguindo em uma road trip. Transariamos em estradas desertas e motéis baratos. Teríamos conversas quilométricas e ficaríamos bêbadas em botecos de beira de estrada. Você me ensinaram a dirigir e eu te mostraria as constelações. Até o dia em que enjoariamos desse amor errante. Eu viraria garçonete em uma parada qualquer e você sairia para comprar cigarros e nunca mais iria voltar. Então eu precisaria fugir de novo.
Mas eu não posso te pedir pra abandonar tudo, então fico quieta e compro sozinha minha passagem para Arequipa. Porque eu sempre quis ver o pacífico. E porque eu preciso sair desse lugar, onde meus pés fazem raízes em você.
sábado, 29 de março de 2014
mais um
Você não sabe como cura minhas feridas com esse sorriso fechado, que esconde os dentes, como se estivesse sorrindo para dentro. Nesse teu cheiro de creme eu vou cicatrizando as memórias de um abandono. Você não sabe como me ajuda, todos os dias, por apenas estar aqui. Com a ponta dos dedos sempre me tocando levemente, roçando na pele com calma, em um carinho sem fim. Eu não sei por quanto tempo vai durar esse momento - aquele instante em que um casal começa a se conhecer, antes de seus defeitos começarem a incomodar, ou os corpos começarem a se enjoar - mas eu quero aproveitar cada momento de vício que você me proporciona. É nesses encontros e desencontros da vida que eu vou me perdendo e me achando.
domingo, 14 de julho de 2013
aqui jaz
Teve uma época em que quis ser escritora, e agora tenho medo
das palavras que não são reais. Me atenho a fatos e leads. Não consigo mais
criar histórias nem pra minha própria vida. Enterro aqui minhas fantasias e
meus abortos literários.
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Ao amor, com carinho
Você me disse que queria um texto. Nem rosa, nem presentes. Apenas palavras. O problema é que você me rouba a fala. Sou daquelas que só escreve nos momentos tristes, mas você faz cada minuto com você ser uma alegria. E sim, as vezes temos problemas ou nos estressamos com os perrengues do dia-a-dia, mas você sabe que somos mais do que isso. Nós já enfrentamos o mundo e mais um pouquinho pelo nosso amor, então não vai ser qualquer toalha molhada que vai me fazer desistir da nossa história de novela. Você me ajuda a enfrentar os meus medos e eu quero estar em cada um dos seus momentos, os bons, os ruins e os entediantes. Queria inclusive ter você comigo neste exato momento, mas as circunstâncias não permitem. Mas tudo bem. Mesmo sem ter você agora no meu lado, mesmo sem termos dinheiro para trocar presentes, mesmo que o dia dos namorados não estejam sendo igual ao dos outros casais, eu sei que isso não tem problema, porque nós nunca fomos mesmo um casal igual aos outros. Acho que essa é a graça. Nunca pensei que um dia eu iria querer dividir minha vida com alguém, mas cada dia faço mais e mais planos para o nosso futuro. Te amo e volta logo, porque estou com saudade do seu abraço no meio da noite e dos seus beijos ao despertar de cada dia.
terça-feira, 14 de maio de 2013
Dizem que todo
carnaval tem seu fim, eu fico olhando o calendário e me perguntado se cada
briga e birra seria um dia rumo a nossa quarta-feira de cinzas. Que, em toda a minha ingenuidade, espero que
não. Desejo que seja tudo parte de um cotidiano para manter nossa vida de casal
movimentada. A gente briga, mas se ama. Enquanto minha raiva desaparecer em um
lance de escada ou uma mensagem de celular, fico pensando que ainda estamos
bem. Me apego a isso. Espero que seja
verdade.Eu me seguro nisso. E tento prolongar para sempre o nosso carnaval.
quarta-feira, 17 de abril de 2013
rodapé
Não existem palavras suficientes no mundo para descrever nosso amor. Acabaram. Na falta de verbos e substantivos, eu só sinto. Vivo tanto amor que não sobra espaço nem pra um rodapé.
segunda-feira, 11 de março de 2013
Sou mais ciumenta do que vocês imaginam
não que eu me orgulhe disso.
pelo contrário
eita sentimento ruim da peste.
quinta-feira, 7 de março de 2013
coleção de saudades
Dizem que não existe amor em São Paulo. Mentira. Já estive
lá e encontrei vários.
Teve amor de praça, de peça, de trem, de amigo. Teve amor de coisa, de
livros, filmes e sabores. Desses que a gente só encontra em um bom sebo ou em um sanduíche
de mortadela no mercado municipal. Amores de paisagens, que fazem a gente pensar na vastidão desse mundão.
Teve amores que gostavam de samba. Dançavam no meio da cozinha uma
valsa, cantavam músicas antigas que tocava em um rádio qualquer. Teve aqueles que
gostavam de uma caminhada no meio da noite, um banho de chuva, uma
camiseta emprestada. Desses que a gente se sente a vontade sem nem
conhecer
Encontrei amores quando não procurava, enquanto fugia de mim, dos outros e dos amores que não conseguia gostar. E encontrei aqueles que, assim como eu naquele tempo, não acreditavam que podiam amar. Não conseguia ver amor nos pequenos pedaços de sentimentos que iam deixando por aí, entre um beijo roubado, umas latas de bebida em um praça qualquer ou um afago sem compromisso durante longas conversas sobre essa nossa impossibilidade de gostar.
Encontrei amores quando não procurava, enquanto fugia de mim, dos outros e dos amores que não conseguia gostar. E encontrei aqueles que, assim como eu naquele tempo, não acreditavam que podiam amar. Não conseguia ver amor nos pequenos pedaços de sentimentos que iam deixando por aí, entre um beijo roubado, umas latas de bebida em um praça qualquer ou um afago sem compromisso durante longas conversas sobre essa nossa impossibilidade de gostar.
Por isso, de vez enquando dá uma saudade daquilo que a gente já viveu. Amor só é bom quando fica assim, vira afeto e lembrança. Dá
aquela nostalgia gostosa de ter.
Eu sou aqueles que gosta de colecionar saudades.
Eu sou aqueles que gosta de colecionar saudades.
domingo, 17 de fevereiro de 2013
linha da vida
nós teremos
filhos. e ainda vamos construir nossa casa, com uma piscina, para fazer
churrasco nos domingos. vamos viajar nas férias escolares. Você ainda vai se
formar, e nós iremos morar um tempo fora, só pra conhecer o mundo e ter mais
oportunidades. No final, voltaremos pra esse mesmo cantinho. E quando
estivermos bem velhinhos, você ainda vai me beijar ao acordar. Morreremos
depois de conhecermos nosso primeiro neto (ou neta). Eu sei que você não
acredita nisso agora, mas é tudo verdade. eu sei. vi tudo na palma da minha
mão, e a linha da vida não costuma errar.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
single bed
Eu gosto de me perder em teu cheiro, me esconder do mundo entre teus abraços, me acalentar em você e sonhar, como há muito não sonhava. Dormir tem se tornado minha atividade preferida do dia. Nunca pensei que caberia tanto amor em uma cama de solteiro.
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